Nossa passagem pela famosa Rainbow Mountain (ou Montaña de 7 Colores, Montanha Colorida, Montanha Arco Iris, Vinicunca e todos os seus vários nomes) começou de maneira equivocada!
Nós, na empolgação para chegar em Cusco, simplesmente passamos reto pela montanha e só nos demos conta quando chegamos na capital do império Inca.
Sim, nós perdemos a entrada para a Rainbow Mountain!
Estávamos vindo do sul, mais precisamente de Copacabana, na Bolívia (saiba mais sobre Copacabana aqui) e nos esquecemos completamente que a famosa montanha colorida ficava no caminho.
Acabamos ficando em Cusco por 3 semanas e pouco antes de seguir viagem fomos lembrar da montanha novamente (veja aqui o que fizemos por lá).
Passamos a considerar qual seria o melhor jeito de conhecer a Rainbow Mountain.
Se a gente fosse de carro, gastaríamos mais combustível, além da alimentação durante o trajeto.
Poderíamos ir de transporte público também. Seria mais barato, mas um pouco mais complicado. Não existe um ônibus direto, então teríamos que improvisar. Daria um pouco mais de dor de cabeça e seria mais incerto. Veja no final desse post como ir até a Rainbow Mountain por conta própria.
Por fim, poderíamos contratar um desses tours de dia todo, com tudo incluso. Transporte de ida e volta, café da manhã, almoço e a entrada para a Rainbow Mountain.
Após considerarmos os valores, preferimos essa última opção.
A entrada para a trilha
Os moradores do local que trabalham oferecendo cavalos na montanha
O TOUR E A TRILHA
Vamos começar com o preço: Pagamos 85 soles por pessoa (tudo incluso). Não foi o mais barato que encontramos. Achamos até por 70 soles. Mas, considerando nosso cenário, essa foi a melhor escolha.
O valor incluía transporte de ida e volta – sendo que na ida a van nos pegaria no camping, mesmo com a localização mais afastada (o que nos faria economizar 10 soles que gastaríamos para ir até a Plaza de Armas) – café da manhã e almoço. Na volta a Cusco ainda passaríamos por 4 lagoas.
O passeio começa cedo, muito cedo.
Sério.
Mas não tem porque começar tão cedo. Já explico.
A van passou nos pegar às 3:40 da manhã. Fomos os primeiros. Em seguida, passou mais em uns 3-4 lugares pegar mais pessoas. Com todos no carro, o motorista parou para abastecer (poderia ter feito isso na noite anterior, né?). Perdemos quase 1 hora nesse processo todo.
Pegamos estrada MESMO às 5 da manhã. De lá seguimos 1:30 até um povoado próximo de Pitumarca para tomar café da manhã.
Ali comemos, ouvir as instruções do guia e alugamos os walking stick para nos ajudar na subida. Paguei 5 soles por um de madeira.
Do povoado fomos de van até a entrada da trilha. Ali mesmo já é possível alugar os cavalos.
Os guias fazem de tudo pra você não falar diretamente com os locais que guiam os cavalos (talvez para você não conseguir negociar) e já passam os valores antecipadamente: 60 soles somente subida e 90 soles subida e descida.
A Nayara tinha torcido o pé em Cusco e estava com ele inchado e machucado, então foi de cavalo. Já fechamos ali mesmo e pagamos 60 soles, porém uns minutos mais tarde nos arrependemos.
O primeiro km é praticamente uma reta e alguns turistas alugaram o cavalo já durante a trilha. Ouvimos um brasileiro fechar por 50 soles ainda antes da primeira subida. Mas já li relatos de pessoas que alugaram o cavalo mais pra frente e pagaram ainda mais barato. Vale a pena chorar bastante o preço.
Depois do km 1 a coisa fica feia. Começa a subida, que vai até pouco depois do km 5, já no topo da montanha.
Para nós, que não somos esportistas e não estamos muito acostumados a fazer trekking, a subida foi difícil. Bem difícil. Tanto pelo fato de ser subida o trajeto quase todo quanto pela altitude do local. Em todo o percurso vc está acima dos 4,500 metros de altitude. Lá no topo é mais de 5 mil metros!
A respiração é complicada (mesmo pra nós que estávamos quase 1 mês em Cusco!) e as pernas doem depois de um tempo caminhando.
Mesmo quem opta pelo cavalo precisa descer do bichinho e caminhar em vários trechos de subida íngrime, a fim de não prejudicá-lo. O pé da Nayara sofreu um pouquinho.
Eu fiz a trilha em 2 horas e meia. Comecei ás 8:05 e cheguei lá no topo às 10:35. Até que foi um tempo bom para que não está acostumado!
Pessoas realizando o trekking
Outras montanhas no vale
O mau tempo durante o trajeto até o topo
Mais da caminhada
O problema foi lá no topo. O tempo estava PÉSSIMO. Chuva misturada com neve, com nuvens, neblina, vento… tudo junto!
Infelizmente, pouco conseguimos apreciar da vista e das famosas cores da montanha, que estava quase completamente escondida pela neblina.
Fiquei bastante frustado na hora, mas não havia o que fazer. O tempo não parecia que iria melhorar nas próximas horas. Tiramos algumas fotos e começamos nossa descida.
Descemos em pouco mais de 1 hora e 10 minutos (a Nayara desceu a pé comigo). O trajeto de volta judia um pouco dos joelhos, mas é infinitamente mais fácil e mais prazerosa que a subida.
Aproveitamos para tirar foto do caminho, que é realmente um espetáculo, já que na subida eu estava sem condições de tirar a câmera da mochila.
O trajeto é todo cercado por montanhas, como um vale. Ao fundo o imponente Ausangate com seus mais de 6.000 metros de altitude. Encontramos muitos animais durante o caminho. É uma beleza natural muito rica e impressionante!
Apesar da frustração com o mau tempo, fiquei muito feliz que consegui realizar o trajeto todo caminhando. Após quase 4 horas de caminhada abri uma cerveja e comemorei minha conquista, mesmo com o frio e inteiro molhado!
O clima horrível no topo
O clima quando a Nayara chegou (antes de mim e a cavalo)
A montanha colorida
A placa mostrando a altitude de mais de 5000 metros
COMO CHEGAR ATÉ VINICUNCA POR CONTA PRÓPRIA
Sim, existe uma maneira de ir por conta própria!
Vale a pena? Talvez se você esteja em uma economia total de gastos possa valer a pena, mas por pouco.
Encontramos opção de agência por 60 soles com café da manhã e almoço, além do transporte, é claro. E encontramos relatos de quem fez por conta própria que gastou quase 40 soles ida e volta, somente de transporte. Teria que somar aí pelo menos um lanchinho de café da manhá e um pro almoço. No final das contas pode ficar um valor muito próximo. Vai de cada um.
Mas, vamos lá!
Você terá que tomar um ônibus que vai sai de Cusco e vai até uma cidade chamada Sicuani. Mas fique atento, pois você terá que avisar o motorista que vai descer na cidade de Checacupe.
De Checacupe, terá que chegar em Pitumarca. De táxi ou tuk-tuk.
De Pitumarca você vai até o local onde inicia a trilha. Aqui é um trecho um pouco mais complicado para seguir. Talvez você possa encontrar uma van que tenha lugar sobrando ou pegar um carona com um dos caminhões que levam os locais. É um pouco mais complicado, mas sempre há uma maneira.
O pessoal do Mundo Sem Fim contou como foi a experiência de ir por conta própria. Dá uma olhada aqui.
DICAS E CONSIDERAÇÕES FINAIS
- Leve água e lanches leves. Um chocolate ajuda a dar energia!
- Vá com roupa de frio (de trekking, preferencialmente). Lá em cima venta bastante e pegamos até neve. Proteja bem as orelhas com gorro!
- Tente fazer sem o cavalo. É um custo alto. Se for alugar, não faça no início da trilha. O primeiro km é reta e mais pra frente você pode negociar um melhor preço.
- Use bastões de caminhada. Ajuda muito!
- O percurso todo é acima dos 4 mil metros, chegando a mais de 5 mil! Por isso é recomendado que faça esse passeio algums dias após chegar em Cusco, pro corpo ir se acostumando aos pouquinhos.
- Opte por agências que saiam às 5 da manhã da Plaza de Armas. Você não vai precisar acordar 3 horas e ficar passando de hotel em hotel pra pegar outros turistas! No final, todas saem de Cusco perto das 5 da manhã.
Apesar do péssimo tempo que estava lá em cima, o trajeto todo em meio a montanhas e animais é muito belo e de tirar o fôlego, literalmente.
Além disso, é um local relativamente novo para o turismo. Os locais nos disseram que não tem 3 anos que começaram os tours pra lá. Legal, né?
Vale a pena conhecer!
Ricardo Breda
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Olá Ricardo!
Qual período do ano foi feito o passeio?
Vocês chegaram a cogitar acampar na montanha?
Obrigada!
Oi Barbara.
Acho que fizemos o passeio em Setembro, um pouco antes deste post ir pro ar. Não pode acampar lá. O máximo que dá pra fazer acho que acampar no estacionamento de onde vc começa a caminhada.
Ricardo, você acha que é muito puxado fazer Laguna Humantay em um dia e Rainbow Mountain no outro?
Oi Lorraine,
Depende do seu preparo físico. Acho pesado sim. A Rainbow tem subidas ingrimes e altitude elevadissima. A Humantay está mais baixa, porém a subida é bastante íngrimes tambem. Tem que ir com bastante calma.