Chegou o grande dia de cruzarmos mais uma fronteira, em direção ao terceiro país de nossa viagem de carro!
E o dia começou cedo. Pulamos da cama 5 da manhã para pegarmos a balsa que sai de Colonia del Sacramento (Uruguai) e viaja até Buenos Aires, na Argentina.
Para atravessar esse trecho de carro há 2 opções: de balsa ou por terra mesmo. Contamos um pouquinho sobre a travessia no nosso post de Colonia, dá uma olhada aqui!

Opção por terra do trajeto entre Colonia del Sacramento e Buenos Aires
Desembarcamos no famoso Puerto Madero, em uma terça feira fria e ensolarada, em meio ao caos da hora do rush da maior cidade argentina.
A parte aduaneira foi tranquila. Deixamos a balsa com todos os olhos dos passageiros voltados para nosso carro (afinal, o que aquele carro super discreto estava fazendo alí?) e logo seguimos pela fila de estrangeiros.
Fomos parados pela polícia, que pediu nossos passaportes, minha permissão para dirigir e a Carta Verde. Eles também deram uma checada geral no carro. Pediram para abrirmos os armários, geladeira e gavetas. Isso foi novidade pra gente, já que no Uruguai não fomos parados nenhuma vez pela polícia e a passagem pela fronteira foi muito tranquila.
De lá, seguimos para o apartamento de um amigo do banco em que eu (Ricardo) trabalhava. Ele gentilmente topou nos receber na sua casa!
Um pessoal com quem eu trabalhava foi transferido de SP para Buenos Aires e combinamos de nos encontrar para colocar o papo em dia e rever rostos conhecidos depois de quase 3 semanas na estrada!
Como Buenos Aires não é uma cidade muito barata, tínhamos em mente que nossa passagem por lá seria para descansar um pouco, rever amigos e resolver algumas coisas que são mais fáceis de resolver em cidades grandes.
Logo que nos instalamos, já saímos bater perna para resolver alguns pepinos que tínhamos planejado.
A primeira coisa que fizemos foi sacar dinheiro (saiba o motivo logo mais abaixo), fizemos uma grande compra no supermercado (já que ficaríamos um tempo na casa desse amigo, aproveitamos para cozinhar bastante e comer comida de verdade!), fomos atrás de lavanderia para lavar algumas de nossas roupas (já tínhamos lavado em camping, mas como estava muito frio e úmido, não tinha ficado aquelas coisas, né?) e também começamos a buscar um local para trocar o óleo e filtros do Charlie.
Aproveitamos para fazer tudo a pé e já conhecer um pouco da cidade também, é claro.
Aliás, como estávamos em uma cidade grande, optamos por deixar o carro em um estacionamento. Buscamos vários na região, mas o preço era incrivelmente alto. Escolhemos o mais barato, depois de cotar quase 10 diferentes. Mesmo assim a diária saiu por 50 reais.
Sim, cinquenta reais!
Achamos um absurdo, mas infelizmente não tinha opção mais barata e não queríamos deixar o carro na rua. Conversamos com moradores do bairro e nos recomendaram deixar em um local seguro. Enfim, essa é a vida nas grandes cidades.
TURISMO PELA CIDADE E REENCONTRO COM AMIGOS
A cidade de Buenos Aires e seus arredores possui diversos pontos turísticos e sabíamos que em 3 dias não conseguiríamos conhecer tudo. Há quem diga que em 5 também não conseguiríamos, nem em 7…
A cidade é repleta de parques e áreas verdes ao ar livre, avenidas enormes, construções antigas que lembram a arquitetura charmosa do velho continente, bairros modernos, boêmios e, acredite, até um cemitério é ponto turístico em Buenos Aires!
Conhecemos os principais pontos da cidade e, talvez propositalmente, deixamos algumas coisas de lado para podermos voltar um dia para lá, já que é um destino de fácil acesso para nós brasileiros (considerando a distância e o preço não tão abusivo de passagens de avião).
Passamos pela Avenida 9 de Julho (de carro e a pé :P), a avenida mais larga do mundo, e suas incontáveis pistas, pelo Obelisco, pelo famoso Café Tortoni, Casa Rosada, Praça Lavalle e os imponentes Teatro Colón e edifício da Corte Suprema Argentina, o local onde é realizada a famosa Feira de San Telmo, a hipster Caminito, Recoleta, Palermo… e ainda sim faltou conhecer dezenas de lugares!
Encontramos um amigo argentino da Nayara, que trabalhou com ela na TRW, encontramos amigos que trabalharam comigo no JP Morgan, conversamos sobre nossos antigos empregos e sobre nossos planos da viagem.
Além disso, pegamos dicas da cidade e também de outros lugares na Argentina. E quase – mas quase mesmo – fomos convencidos a mudar nosso roteiro e seguir de lá para Mendoza, onde meus amigos passariam o feriado de Tiradentes. Mas acho que faltou alguns goles a mais de cerveja naquela noite para nos convencer 😛
Para nós, Buenos Aires foi um lugar mais para reencontrar amigos e resolver pendências do que turismo propriamente dito. Quando se está na estrada é preciso abrir mão de algumas coisas em prol de outras. E assim seguimos viagem, sabendo que nunca será possível conhecer absolutamente tudo de todos os lugares pelos quais passaremos!
ALGUMAS DICAS E A MÁ FAMA DOS CARTÕES DE CRÉDITO
- Logo que chegamos na cidade já sacamos dinheiro, pois estávamos cientes de que muitos locais não aceitam pagamento em cartão, por alguns motivos. Uma das principais razões é a descrença da população com relação ao setor bancário.
- Tal fato pode ser explicado pelo famoso episódio do “Corralito”, uma espécie de confisco bancário que traumatizou os argentinos em 2001. Outro motivo, dizem, seria pela maior facilidade de sonegar impostos, já que se receberem em dinheiro vivo, teoricamente não há rastreabilidade dos valores transacionados.
- A famosa rua Caminito no bairro de La Boca é um destino imperdível, porém sugerimos que faça sua visita durante o dia. O bairro é um pouco perigoso para turistas. Não é difícil ler histórias de quem foi assaltado ou foi vítima dos famosos “batedores de carteira” na região. Portanto, todo cuidado é necessário.
- O trânsito da cidade beira o caótico. Muitas buzinas, taxistas sem paciência, motoristas que não dão seta… Caso você dirija pela cidade, tome cuidado e abuse da direção preventiva.
- A cidade tem dezenas de parques, é bastante verde. Escolha um para sentar e passar um tempo, fazer um picnic e apenas relaxar. É interessante observar o contraste da metrópole que não pára com a tranquilidade dos parques.
- É de Buenos Aires que se inicia a famosa Ruta Nacional 3, ou apenas Ruta 3, que corta o país de norte a sul e termina em Ushuaia, a cidade do fim do mundo.
- Uma opção barata para se locomover na cidade é o ônibus. São muitos e funcionam muito bem. Apesar da aparência meio “caída” por fora, eles são bem conservados por dentro. Mas atenção: ao entrar no ônibus você deve informar ao motorista o ponto que vai descer (ou pelo menos um local aproximado). Assim, o valor cobrado é proporcional a distância que se percorre. Legal, né?
Memórias de Mochila
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