Após quase 1 mês em Cusco e região, chegou a hora de deixar a altitude para trás e seguir sentido litoral peruano. As noites frias e úmidas abririam espaço para o clima seco e quente de uma das regiões mais áridas do mundo.
Estávamos a caminho de Nasca e suas enigmáticas e gigantes linhas desenhadas no deserto. Contudo, a cidade tem muito mais a oferecer do que os super caros vôos sobre os mundialmente famosos geoglifos.
CHEGANDO A NASCA
Percorremos os 650 km que separam Cusco de Nasca em 3 dias.
Foram dias intensos em uma das estradas mais espetaculares que já dirigimos. Centenas (se não milhares) de curvas, constantes subidas e descidas, altitudes de mais de 4.000 metros. Tudo isso fez parte do nosso trajeto por vales e serras. Inclusive, pegamos a maior tempestade de neve até aqui. A 4.100 metros de altura uma chuva de neve nos deixou quase sem visão por vários quilômetros.
No caminho dormimos em Curahuasi e Puquio, duas pequenas cidades com hotéis baratos. Foi uma boa opção para descansar depois da cansativa estrada. Sim, o caminho é lindo, mas muito cansativo!
Para quem está de ônibus, as maneiras mais comuns de chegar a Nasca são: de Lima em uma viagem de até 8 horas que pode custar a partir de 50 soles; de Arequipa (9 horas, a partir de 80 soles) ou de Cusco (até 14 horas, a partir de 60 soles).
SOBRE A CIDADE DE NASCA
Nasca está localizada na costa sul do Peru, a 520 metros acima do nível do mar. A cidade se situa em uma das regiões mais áridas do mundo!
O nome da cidade refere-se à cultura Nasca, que desenvolveu-se na região entre 100 AC e 800 DC. As formas de arte mais famosas dessa cultura são as Linhas de Nasca e um incrível sistema subterrâneo de água, conhecido como Aquedutos, que funcionam até hoje.
A cidade em si não tem muitos atrativos. Não espere uma arquitetura estilo colonial como Arequipa ou Cusco. Longe disso. Os atrativos principais estão nos arredores, esses sim fazem a visita a Nasca valer a pena.
A Bolognesi é a principal rua da cidade. Ali você encontrará a maioria dos restaurantes e bancos. Encontramos algumas agências também por ali. Tudo gira em torno da Plaza de Armas, então não tem erro. A praça central é um lugar agradável para ficar durante a noite, sentado em um dos bancos. O clima é fresco a noite.
O QUE FAZER EM NASCA
AQUEDUTOS DE CANTALLOC
Uma extensa rede de canais subterrâneos feita em pedra, de forma espiral. Os aquedutos foram criados para transportar água das lagoas para o campo, pela região árida de Nasca. Alguns deles funcionam até os dias de hoje!
É uma construção incrível se analisarmos a data em que foram feitos e o fato de que sobrevivem até hoje, mesmo com os fortes terremotos que a região já enfrentou.
Os aquedutos estão localizados a 5 km do centro de Nasca e pode-se chegar até lá caminhando, se você estiver com disposição (ou em uma forte economia). Há táxis que fazem o trajeto também. Vale a pena chorar o preço, pois com certeza os taxistas irão pedir um valor muito acima do que eles podem praticar.
A entrada custa 10 soles e dá direito a mais 3 atrações: El Telar, Las Agujas (ambos geoglifos) e Centro Administrativo Los Paredones. Sendo sincero, achamos essas 3 atrações dispensáveis. Mas, como já estava incluso no ticket, fomos conhecer.
Há tours para os Aquedutos por aproximadamente 40 soles. Tenha em mente que os valores dos tours não costumam incluir a entrada. O passeio costuma durar 2 horas e as saídas são diárias.
CEMITÉRIO DE CHAUCHILLA
Esse foi o lugar mais interessante que vimos em Nasca. Inicialmente pode parecer estranho conhecer um cemitério, mas esse não é um cemitério qualquer!
O local foi descoberto nos anos 1920 e lá é possível observar múmias em perfeito estado de conservação a céu aberto, além de crânios e muitos ossos.
Isso se dá ao fato de que, no passado, muitos ladrões foram ao local em busca de tesouro e deixaram para trás as tumbas abertas, já que, nas culturas pré hispânica, as pessoas eram enterradas com seus pertences. Muito do tesouro foi levado pelos saqueadores, porém os corpos estão lá, mumificados, até hoje.
Os corpos eram enterrados em posição fetal e com seus pertences, possivelmente pelo fato de os povos da região acreditarem que os pertences poderiam ser úteis em outras vidas.
Várias múmias estão tão conservadas que até o cabelo está lá, intacto. É impressionante! O clima super seco da região ajuda na conservação natural das múmias.
A entrada para o cemitério é de 8 soles. Há tours todos os dias e o passeio dura aproximadamente 3 horas. Pode-se encontrar tours a partir de 40 soles, talvez um pouco menos se negociar. É possível também fechar um táxi, caso esteja em um grupo.
Para quem está em economia total, há uma opção bem barata. Você pode pegar um collectivo (uma espécie de “táxi compartilhado”) de Nasca ao povoado de Chauchilla. De lá caminha-se por alguns minutos até chegar ao cemitério. O collectivo deve sair por, no máximo, 5 soles.
Nós fomos com nosso carro e não tivemos problema nenhum. É só pegar a rodovia Panamericana sentido Arequipa e andar 20 km. Vire a esquerda em uma estrada de terra e siga por mais 7-8 km em uma estrada de terra batida, em bom estado.
RUÍNAS DE CAHUACHI
Estudos indicam que este foi um dos principais centros cerimoniais e administrativos da cultura Nasca. Situado a aproximadamente 25 km do centro de Nasca, deserto a dentro, o local impressiona pelo estado de conservação das construções e pelas pirâmides. Sim, pirâmides em meio ao deserto de Nasca.
As construções são em barro e adobe e algumas pirâmides medem até 20 metros de altura. Existe muitas teorias sobre o local, mas o mais provável é que o local era um centro de peregrinação.
Os saqueadores são uma grande preocupação para o local, já que historiadores acreditam que possa haver muito mais enterrado sob as areias do deserto.
Nós tentamos ir de carro até o local, mas a estrada estava em uma situação deplorável. Decidimos não arriscar e deixar para uma próxima oportunidade.
Moradores de Nasca disseram que os taxistas cobram preços altíssimos para levar até lá, já que eles preferem não ir. Há tours diários que passam pelas ruínas e seguem para o Deserto de Usaca (ver informações abaixo).
DESERTO DE USACA
Esse passeio dura 4 horas e inclui uma parada em Cahuachi, além de uma rápida visita em um dos aquedutos e um cemitério (não os mesmos descritos anteriormente).
O ponto alto do tour é o rally feito pelas dunas em um buggy totalmente adaptado. Subidas, descidas, curvas fechadas e muita, mas muita areia voando!
No final do tour, os que desejam, podem praticar sandboard pelas areias do deserto. A agência empresta as pranchas de madeira.
Esse é aquele passeio que você PRECISA fazer com uma agência, não tem como fugir. Os carros são completamente preparados para as areias fofas e a inexistência de um caminho marcado torna o passeio por conta própria impossível.
O tour parte às 9:00 ou às 14:00 e dura 4 horas. Recomendamos o da tarde, pois é possível ver o pôr do sol nas dunas. Encontramos esse tour a partir de 60 soles. Mas, como tudo no Peru, é possível negociar.
Nós não fizemos esse tour. Deixamos para fazer um similar em Huacachina (veja aqui como foi nossa aventura). Independente de qual você escolha, não deixe de fazer um tour desse tipo. Foi um dos passeios mais legais que fizemos.
PARTICIPAR DE UMA CERIMÔNIA DE PACHAMANCA
A pachamanca é um prato típico peruano, mas sua real beleza está na cerimônia de preparação. Uma tradição milenar, pré hispânica, que consiste em usar a terra como espécie de forno para preparar os alimentos.
O primeiro passo e fazer uma fogueira no chão e colocar pedras dentro do fogo. Após, os alimentos são enterrados nesse mesmo buraco, com as pedras por cima. Batatas, milho, carne, temperos, tudo junto. Uma espécie de forno é criado.
Nós participamos de uma cerimônia no Wasipunko – nosso parceiro de viagem (saiba mais sobre nossos parceiros aqui) – e recomendamos a experiência. Foi como voltar no tempo e viver um pouquinho da cultura andina.
AS FAMOSAS E ENIGMÁTICAS LINHAS DE NASCA
Esse assunto dispensa apresentações, certo? Mas vamos lá!
Depois de Machu Picchu, esse é o destino mais visitado no Peru. Não por acaso.
As Linhas de Nasca são gigantescos geoglífos com mais de 1500 anos localizados em meio ao deserto peruano. Elas podem chegar a até 200 metros de comprimento!
No passado muitos acreditavam que as linhas tinham sido feitas por ETs. Sim, os mesmos que fizeram as pirâmides do Egito!
Atualmente a teoria mais aceita por historiadores é a de que os desenhos foram feitos pela civilização Nasca há mais de 1500 anos.
O clima árido e sem vento do deserto permitiu a preservação natural dos desenhos até os dias de hoje. São mais de 70 figuras que remetem a formas de animais como um macaco, um colibri e uma aranha, além de árvores, mãos e outros.
O voo pelas linhas é o maior atrativo da cidade. Mas os preços são altos. Dificilmente você vai gastar menos que 90 dólares para sobrevoar a região.
Nesse post aqui nós ensinamos como ver as Linhas de Nasca por apenas 1 dólar! Clique aqui pra ler mais sobre.
DICAS
- Nasca é uma cidade quente e seca. A noite a temperatura cai um pouco, mas bem pouco. Portanto, coloque roupas leves na mala. E tenha sempre em mãos protetor solar e água. O sol judia muito!
- As agências costumam vender pacotes de passeios. Por exemplo, o voo pelas Linhas de Nasca pela manhã e o Cemitério a tarde. Pode ser uma boa opção para conseguir um melhor preço.
- Como tudo no Peru, negocie muito. Não é incomum os taxistas jogarem o preço lá pra cima ao perceber que você é turista (acredite, não é difícil perceber isso).
- O voo pode ser comprado direto no aeroporto. Uma taxa de 25-30 soles tem que ser paga, então não esqueça de adicionar esse valor na conta.
- Alguns passeios envolvem muita areia (principalmente o Deserto de Usaca). Vá preparado com óculos de sol e roupas que possam te proteger.
Ricardo Breda
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