Depois de 333 dias percorrendo os caminhos mais incríveis da América do Sul, uma nova etapa da nossa viagem de carro até o Alasca estava para começar. Foram quase 12 meses de muita novidade, culturas distintas e comidas deliciosas. Aprendemos a viver na estrada, viajar mais devagar e aproveitar mais os nossos destinos.
O Charlie já estava dentro de um contâiner, viajando pelo mar do Caribe com destino ao porto de Manzanillo em Colón. Nós chegamos à Cidade do Panamá em uma quinta-feira pela manhã e não perdemos tempo na mais moderna capital da América Central.
Alguns dias depois descobriríamos que, infelizmente, o navio com o carro tinha atrasado, e, portanto a nossa passagem pelo Panamá não seria tão longa quanto esperávamos. Isso porque tínhamos um vôo a Cuba, saindo da Costa Rica em poucos dias, fato que nos fez acelerar um pouco.
A nossa estadia no país do Canal foi curta, apenas 10 dias, mas aproveitamos para explorar a capital, conhecer a famosa zona franca de Colón, curtir uma tranquila praia na costa pacífica do país e relaxar no paraíso chamado San Blás.
Aqui vamos deixar as impressões que tivemos ao passar pelo Panamá.
CUSTO
Até aqui, foi o país mais caro que já passamos em nossa viagem (para ver por onde já passamos clique aqui). Passamos aperto para não estourar o orçamento, mas por alguns dias foi inevitável.
É possível encontrar algumas hospedagens mais em conta, como hostel com quartos compartilhados. Contudo, comer fora é caro. Estávamos acostumados com os famosos e baratos menu del día de países como Peru, Equador e Colômbia, então sentimos bastante a diferença. Comprar comida no mercado também não é barato. Frutas são caríssimas, por exemplo. Passamos alguns bons dias a base de macarrão e molho de tomate para tentar economizar um pouco.
Andar de ônibus na cidade do Panamá não é caro, bem como Uber. Utilizamos bastante o serviço de Uber por lá.
SEGURANÇA
De uma maneira geral, nos sentimos bem seguros em nossa passagem pelo Panamá. Mesmo na capital, que tem todos os traços de qualquer outra grande cidade do continente americano, não vimos grandes perigos. Colón, cidade que abriga o porto que fomos buscar o carro e a zona franca, é mais perigosa que as demais que passamos. Ali é bom tomar cuidado extra.
CULTURA E ESTILO DE VIDA
Na Cidade do Panamá e redondezas sentimos uma forte presença da cultura norte americana, principalmente dos EUA. Talvez pelo fato de que os EUA tiveram território na Cidade do Panamá no passado. Em bairros mais próximos do Canal e possível observar o estilo típico casas estadonidense. Há muitos restaurantes de cadeia dos EUA também, bem como pequenos malls ou outlets pelas estradas ou em grandes avenidas. Nos mercados é comum encontrar alimentos em embalagens tamanhos gigantes, como cereais, salgadinhos e condimentos. Muito similiar aos EUA.
Não gostamos muito desse estilo. Não era isso que a gente tinha em mente, ficou uma impressão meio estranha de estar na América Central com estes traços tão fortes e característicos da América do Norte.
Cinta Costeira, Cidade do Panamá
Casco Viejo, parte antiga da Cidade do Panamá
ESTRADAS
Percorremos a Panamericana quase que completa e a estrada é realmente muito boa no Panamá. Praticamente toda duplicada, com trechos que nos lembraram os tapetes da Ruta 5 que corta o Chile. Alguns trechos são desertos, já que o país não tem muitas cidades grandes. Porém é possível encontrar postos de combustível com facilidade. Passamos por algumas paradas policias na estrada (3 pra ser mais exato) e não tivemos problemas. A polícia nos tratou bem.
CIDADE DO PANAMÁ
A capital mais moderna da América Central nos trouxe bons momentos. Reencontramos amigos do passado, amigos da estrada, conhecemos uma família linda de brasileiros que vivem na cidade e aproveitamos bastante o que há de mais belo na metrópole panameña. Caminhamos bastante pelas antigas ruas do Casco Viejo, pela Cinta Costeira (inspirada no Aterro do Flamengo), conhecemos o magnífico Canal do Panamá e até fomos passear em um famoso shopping da cidade (fazia muito tempo que a gente não ia a um shopping!).
A cidade é bonita e agradável, apesar de ser um pouco cara. Veja mais nesse post.
O skyline da parte moderna da Cidade do Panamá
O Canal do Panamá
SAN BLÁS
Sem exageros, San Blás é a prova de que o paraíso existe. Sem sombra de dúvidas, foi o lugar mais bonito que vimos até então na viagem. Patagônia é linda, Carretera Austral é única, Paracas é de tirar o fôlego, mas San Blás é golpe baixo. Uma viagem ao Panamá sem visitar San Blás é um erro e nós te explicamos neste post aqui o motivo.
É sério, não deixe de ler nosso relato sobre este lugar. Meu desejo é que todos possam conhecer essas ilhas um dia. Nossos sinceros agradecimentos ao Roque e a Lili do Guia Panamá por abrir nossos olhos a este paraíso e ao Betzander por ter nos mostrado um pouco da sua cultura e estilo de vida.
O QUE GOSTARÍAMOS DE TER VISTO
Como dissemos no começo, infelizmente nossa passagem pelo Panamá foi muito rápida por alguns motivos alheios a nossa vontade. Tentamos aproveitar as principais paisagens que o país tem a oferecer, mas deixamos pra trás algumas coisas.
Por exemplo, gostaríamos muito de ter conhecida Boquete (a região de montanhas do país), Bocas del Toro e aproveitado um pouco mais as praias do pacífico (Pedasí, Playa Las Lajas e algumas ilhas que nos indicaram).
Faz parte da viagem. É impossível conhecer tudo que um país tem a oferecer, tanto pelo tempo quanto pelo dinheiro. Quem sabe em uma próxima vez 🙂
Ricardo Breda
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