Nossa passagem pela Bolívia quase não aconteceu. Saiu bem nos 45 do segundo tempo, quando já estávamos quase conformados que teríamos que deixar para conhecer o famoso Salar de Uyuni em uma próxima oportunidade (que se sabe lá quando seria). Vamos explicar.

Desde o começo da viagem incluímos a Bolívia (ou pelo menos o Salar de Uyuni) em nosso roteiro. Contudo, quando chegamos a San Pedro de Atacama, fomos informados que vários passeios estavam fechados por causa da neve e da situação das estradas. Isso significava uma coisa: a fronteira entre Chile/Bolívia que dava acesso a famosa Rota das Lagoas, trajeto incrível antes de chegar ao Salar, estava completamente intransponível. Ficamos frustrados!

Não estávamos muito confortáveis com o fato de fazer o percurso de carro, pois diversas pessoas nos diziam que o caminho estava muito ruim, que praticamente não havia estrada marcada no chão, que a polícia boliviana era muito corrupta… Enfim, muitas coisas negativas. Estávamos desanimados para ir dirigindo, já que ficamos com um certo receio depois de tudo que ouvimos.

Passamos uma semana em San Pedro (confira como foi nossa passagem por lá nesse post AQUI e nesse outro AQUI) e nada de notícias quanto à abertura da fronteira Chile/Bolívia. No nosso último dia na cidade, já estávamos arrumando nossas coisas, quando algo incrível aconteceu!

Recebemos um convite da renomada agência DeNomades para realizar o tour de 4 dias pelo Salar de  Uyuni, cuja agência operadora em San Pedro é a World White Travel. A DeNomades é conhecida mundialmente pela excelência em seus tours, principalmente esse que faríamos! Era uma oportunidade e tanto! (veja mais ao final desse post)

Nem precisamos comentar a alegria que ficamos, né? Um dos lugares que a gente mais queria visitar na América do Sul, que parecia improvável, se tornaria realidade!

A fronteira tinha aberto naquele mesmo dia, e o tour sairia logo no dia seguinte. Corremos resolver nossa vida! Trocar pesos chilenos por bolivianos, arrumamos a mochila para os próximos dias [bem frios] na Bolívia e fomos buscar um local seguro para deixar o Charlie descansando enquanto a gente sofria com a altitude e o frio do Altiplano Boliviano.

 

Tudo resolvido, estávamos prontos para carimbar mais um país em nossos passaportes e conhecer um dos lugares mais inacreditáveis do mundo!

PRA VOCÊ QUE DORMIU NA AULA DE GEOGRAFIA

 

O Salar de Uyuni – ou Salar de Tunupa – é o maior deserto de sal do planeta Terra. Localizado no sudoeste da Bolívia, em meio ao altiplano boliviano, o salar mede intermináveis 10.582 quilômetros quadrados. Calcula-se que por lá exista aproximadamente 10 BILHÕES DE TONELADAS de sal.

Estima-se que a formação do salar começou de 30 a 40 mil anos atrás com transformações e secas de grandes lagos pre-históricos, até chegar no estado de planície de sal que conhemos hoje.

Os bolivianos se orgulham dessa maravilha natural, que, estima-se, abriga cerca de 70% de todo o lítio do mundo.

O fato do salar ser [quase] todo plano torna a região uma rota clássica de muitos aventureiros em seus carros 4x4 que percorrem as famosas rotas do altiplano em busca das mais belas paisagens.

O TOUR

DIA 1

 

O primeiro dia de viagem começou cedinho. A van passou nos buscar 7:30, fomos os primeiros do nosso grupo de 6 pessoas. Os demais eram 2 brasileiras, 1 espanhol e 1 inglesa. Após todos serem pegos em suas respectivas hospedagens, o guia comprou o nosso café da manhã, que seria apreciado na elevada altitude, já em território boliviano.

Todos acomodados, seguimos rumo a Hito Cajón, a fronteira entre Chile e Bolívia e o início de nossa aventura.

Uma informação MUITO importante: os trâmites de saída do Chile devem ser feito ainda na cidade de San Pedro, antes de pegar a estrada para a fronteira. Há placas e não há como errar. Mas não esqueça de fazer todo o trâmite, pois na fronteira, aproximadamente 45 km de San Pedro, só existe a imigração boliviana.

No começo, a estrada é a mesma que leva para Argentina. A estrada é linda, estava cheia de neve, com muitas curvas. Uma paisagem incrível. O vulcão Licancabur sempre presente deixa o percurso ainda mais espetacular!

Alguns km a frente, pegamos uma saída a esquerda em uma estrada que não era asfalto, nem rípio, nem terra. Era uma mistura de tudo isso. Mas em bom estado.

Subimos, subimos, subimos, e aos 4.700 metros de altitude chegamos à aduana boliviana. É uma pequena (muito pequena) casinha no meio do nada onde não há nem energia elétrica. Lá trocamos a van pelo Toyota Land Cruiser que nos levaria pelos próximos dias.

Após os trâmites, tomamos café da manhã ao ar livre, estava muito frio! Próximo a gente havia um zorro andino (uma espécie de raposa selvagem que vive na região dos andes). A beleza da natureza já começava a dar suas caras.

Colocamos nossas coisas no bagageiro do carro e partimos. A aventura, de fato, começara!

Fronteira Chile/Bolívia

O Land Cruiser do tour nos esperando na fronteira

Fronteira Chile/Bolívia

Carros de tours e paisagem montanhosa

Alguns poucos minutos a frente (e alguns metros pra cima), chegamos na entrada da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, que leva pela famosa Rota das Lagoas.

Ali cada um deve pagar 150 bolivianos (algo como 75 reais) para entrar. Esse preço não está incluído no valor do tour (ver dicas no final do post). O ticket é válido por 4 dias e você deve guardá-lo, pois irá apresentá-lo outras vezes.

Há banheiro pago, 400 pesos chilenos ou 3 bolivianos – para quem quiser usar.

Da “portaria” do Parque conseguimos avistar a Laguna Blanca, nossa primeira parada, bem abaixo dos quase 5.000 metros em que estávamos. A paisagem parece uma pintura. É incrível pensar como aquilo pode estar tão alto.

Descemos até a beirada da lagoa, onde o guia nos deixou caminhar por uns 20 minutos para tirar fotos e encontrá-lo um pouco mais a frente. A lagoa estava parcialmente congelada, o que deixou a paisagem ainda mais espetacular.

Nos reunimos novamente e partimos pra a segunda parada, a Laguna Verde.

No mirador da Laguna Verde e o clima estava completamente diferente. Ventava muito, muito MESMO, o que tornou um pouco difícil nossa parada ali por muito tempo. Mesmo assim, conseguimos observar a beleza do local com vulcões que criam uma “barreira” enorme ao fundo da lagoa, bem na divisa entre Bolívia e Chile. Um lugar de tirar o fôlego!

Laguna Blanca e reflexos na água

Laguna Blanca congelada

Laguna Blanca e vegetação

Laguna Verde

De lá, seguimos para as Águas Termales de Polques, onde tomaríamos banho em águas a 38 graus, aos pés da Laguna Chaviri.

Antes, contudo, fizemos uma parada rápida no Desierto de Dalí. O local tem esse nome por semelhanças às obras do pintor surrealista Salvador Dalí. O que mais impressiona é ver a imponente cadeia de montanhas ao fundo das “esculturas” de rochas misteriosamente dispostas em meio a natureza.

Alguns quilômetros a frente, chegamos ao local das águas termais. Quem quiser entrar na água, deve pagar uma pequena taxa de 6 bolivianos (3 reais). Enquanto a gente relaxava nas águas quentes, nosso almoço era preparado. Já eram quase 2 da tarde!

Há um vestiário ao lado da piscina de águas quentes. Claro, muito simples e gelado. Tenha em mãos sua toalha e roupa de banho – confira no final deste post nossas dicas de como arrumar a mala para o tour do Salar de Uyuni!

Foi uma experiência diferente e muito gostosa! A água realmente é muito quente, o que impossibilita ficar nela por muito tempo. Muitas pessoas sentem tontura ao sair da água (eu, Ricardo, passei por isso). O sol é muito forte e a combinação com a altura deve bagunçar um pouco com nossa pressão. Mas é só um pequeno desconforto, nada mais. O que castiga mesmo é o frio ao sair da água. Mesmo sem vento, foi dfiicil.

Por ali almoçamos, descansamos um pouco e seguimos viagem. Uma observação aqui: para quem se preocupa com a alimentação, fique tranquilo! Entramos em contato com a DeNomades e informamos que eu (Ricardo) era vegetariano e sempre havia uma opção especial para mim. Sou suspeito para falar, mas era mais gostosa que as demais opções 😛

Águas Termales de Polques

O local onde almoçamos

Hora de seguir para o próximo destino: os geysers. Diferente do campo geotérmico El Tatio, no Chile (veja mais aqui), nos geysers bolivianos não conseguimos ver água borbulhando e sendo expelida, apenas fumaça.

O cheiro de enxofre é muito forte e há muita fumaça. Mas o mais impressionante mesmo foi o caminho feito pelo guia para chegar até lá. Até aqui havia uma certa “rota” traçada, como se fosse um caminho de terra. Contudo, para chegar nos geysers  o guia fez um caminho que não sabemos até agora como ele sabia o que estava fazendo. Ia se enfiando no meio das pedras sem nenhum traçado no chão. Mudava de rota em segundos como se tivesse uma estrada perfeitamente desenhada no chão de pedras grandes e pontiagudas.

Cheguei a perguntar como ele sabia qual caminho tomar e a resposta dele foi acertiva: o guia tem um gps incluído na cabeça. Ficamos muito mais tranquilos! Ponto para a DeNomades por selecionar os melhores guias!

A tarde já estava quase indo embora quando aceleramos até a última parada do dia: a Laguna Colorada, a famosa lagoa dos flamingos.

Andamos uma boa parte da Lagoa pela beirada, observando a coloração avermelhada da água, causada pelas algas ali presente, e também as centenas de flamingos que ali vivem nas rasas águas de 50 centímetros da lagoa.

Geysers

Laguna Colorada

Geysers e sua fumaça

Os flamingos na Laguna Colorada

De lá, seguimos para o refúgio onde passamos a primeira noite, em Huallajara.

O refúgio era bem simples, porém tudo muito direitinho. Dormimos nós 6 em um mesmo quarto, castigados pelo frio de -20 graus que fez na madrugada. Não há água quente para banho e há tomadas para carregar celulares e câmeras apenas por 2 horas, das 18:30 às 20:30. Tudo isso é avisado previamente pela agência DeNomades, não tivemos nenhuma surpresa e fomos preparados para pular o banho na primeira noite!

Apesar de toda simplicidade do local, fomos muito bem recebidos, com um café da tarde, chá, biscoitos, enquanto preparavam nossa janta.

Algumas pessoas do grupo passaram mal, umas tiveram muita dor de cabeça, uma delas vomitou. Eu fiquei bem. Acredito que os 7 dias na altitude de San Pedro serviram para acostumar meu corpo.

Após o jantar – que teve até sobremesa! – fomos descansar para o segundo dia de passeio.

O refúgio do primeiro dia de viagem

DIA 2

 

Pulamos cedo da cama novamente. Tomamos café da manhã no refúgio, arrumamos nossas coisas no Land Cruiser e partimos!

O guia nos avisou que o trajeto do segundo dia sofreria algumas alterações por causa do mau estado das vias – o que já era previsto, visto que até alguns dias atrás nem a fronteira estava habilitada!

Deixaríamos de lado a rota mais tradicional. O mais importante, contudo, é a segurança de todos no passeio. Compreendemos.

A primeira parada do dia foi na Laguna Capina, onde há um pequeno salar. Claro que sem comparações com Uyuni, era só um aquecimento para o dia seguinte!

De lá, passamos rapidamente por Villa Mar, local onde dormiríamos na terceira noite. A vila tem uma paisagem bem pitoresca. É tudo muito simples, porém o estilo das construções se misturam muito bem com a paisagem natural desértica ali presente.

Lá, tenho certeza ter avistado um puma ao longe, andando em meio as casas. O guia disse que era possível, pois havia pumas naquela região, mas um pouco improvável. Todos riram de mim, mas até agora tenho certeza de que vi o temido puma!

Bem pertinho de Villa Mar está nossa próxima parada, Itália Perdida, um local com formações de pedras gigantescas no meio do nada que nos remete às ruínas de alguma civilização antiga. É um destino muito interessante. Aproveitamos para tirar algumas fotos de todos nós em cima do jipe, foto clássica dos tours que passam pela região!

As impressionantes formações rochosas da Itália Perdida

Itália Perdida

Nayara pequenininha em meio à Itália Perdida

Laguna Capina

Seguimos para a Lagunas Vinto e Catal, onde fizemos um mini trekking de alguns minutos, e subimos algumas pedras até chegar a um belo mirador.

A caminhada nos deixou com fome, mas já era hora de comer! Paramos em uma espécie de restaurante no meio do nada. Umas salinhas com mesas e cadeiras onde as agências param para almoçar e descansar um pouco. Não há muita infraestrutura, mas a comida estava muito boa, tudo preparado de forma caseira, na hora!

O cansaço já começava a bater, mas ainda faltavam algumas vistas incríveis para fechar o segundo dia!

O trekking para a Laguna Catal

Laguna Catal

Laguna Catal

A vegetação rasteira e rochas típicas

A mais inacreditável foi, sem dúvida, o Mirador Anaconda, um cânion com uma vista surreal – não recomendado para quem sofre de vertigem 😛 – de um rio cuja forma remete a uma cobra.

A caminho do Hostal de Sal – local da segunda noite – passamos pelo Salar de Chiguana e pela famosa linha férrea de liga nada a lugar nenhum. Brincadeira, é uma importante ferrovia que passa pela Bolívia e vai até Antofagasta, no Chile, transportando minérios.

Antes de chegar no tão esperado Hostal de Sal, paramos em uma pequena vendinha em San Juan para comprarmos cervejas artesanais, feitas com cactus e quinoa! Uma delícia!

Os lindos caminhos do deserto

Mirador Anaconda

Lhamas enfeitando a paisagem

Salar de Chiguana

O refúgio da segunda noite (o Hostal de Sal) é, como o nome já anuncia, todo de sal! As paredes são feitas de blocos de sal, o chão é feito de sal (que lembra bastante areia de uma praia), as mesas, os bancos… e até a cama é feita de sal! É um do lugares mais diferentes que já me hospedei em viagens, uma experiência única!

A infraestrutura é melhor que a da primeira noite, porém ainda sim é tudo muito simples. O quarto é um pouco gelado, acredito que influenciado pelos grandes blocos de sal que formam a parede, e dormir com o saco de dormir é recomendado (veja mais dicas no final do post). Lá há água quente para o banho e muitas tomadas para carregar celulares e câmeras – sem o limite estipulado de 2 horas da noite anterior.

Fomos presentados com uma garrafa de vinho chileno pelo nosso guia Nelson durante o jantar (obrigado, DeNomades!!). Durante o jantar, o guia nos apresentou 2 cenários para a manhã do terceiro (e mais esperado) dia. Poderíamos acordar 4:30 para ver o sol nascer em meio ao Salar de Uyuni ou poderíamos descansar mais e acordar às 7:00 e partir para o salar.

Adivinha qual opção todo mundo escolheu?

 

Hostal de Sal

Tomadas concorridas depois de ter energia limitada na primeira noite

DIA 3

 

Esse é o dia mais esperado por todos que fazem esse tour! Acordamos cedinho, 4:30 da manhã, fazia -15 graus e ainda estava completamente escuro. O café da manhã seria no próprio salar (devido ao horário), então arrumamos nossas coisas no carro e partimos.

Dirigimos quase 100 km pelas estradas escuras ainda tentando adivinhar como o guia sabia pra onde estava indo.

Quando, em certo momento, ele anuncia: estamos entrando no Salar de Uyuni. Assim, no meio do nada, sem placa nenhuma. Saímos da “estrada” e começamos a seguir pelo chão branquinho e quase sem traçado (dava pra ver levemente marcas de pneus formando um traçado em linha reta).

Pouco antes do sol nascer no horizonte plano e salgado do deserto, paramos o carro no meio das “colméias” de sal formadas no chão e descemos para apreciar um dos momentos mais magníficos que já tive o prazer de viver em toda a minha vida.

O frio havia dado uma trégua, fazia “apenas” -10 graus. Até ele desistiu de competir com o fenômeno que estava surgindo. Ver o sol nascer em um dos lugares mais inóspitos da terra foi uma sensação maravilhosa, um daqueles itens que todo mundo deveria ter em sua lista de coisas a se fazer antes de morrer.

Ficamos ali por alguns minutos contemplando a beleza do local e a paz que o cenário transmitia.

Dali seguimos para Isla Incahuasi, uma ilha em meio ao deserto, para visitar um mirador e aproveitar um pouco mais da magia do local. Quem quer subir no mirador (e “ganhar” o direito de utilizar os banheiros) deve pagar 30 bolivianos (15 reais).

Quando descemos do mirador, nosso guia salvador havia preparado um café da manhã no pé da ilha, junto aos tantos outros jipes que fazem esse passeio espetacular.

De lá seguimos sentido Museo de Sal, que é um antigo hotel de sal construído no meio do salar, o monumento Dakar, famoso rally que acontece na região.

Isla Incahuasi

Museu de Sal

O local onde eram preparados os cafés da manhã

Monumento Dakar

E depois finalmente paramos para tirar aquelas divertidas fotos em perspectiva, que brincam com os nossos olhos. Olha só como elas ficam engraçadas!

Turma do tour: nós, mais duas brasileiras (Maria e Natália), uma inglesa (Asha) e um espanhol (David)

Bandeiras em frente ao Museu de Sal

Estava chegando a hora de abandonar o salar, infelizmente. Antes de chegar na cidade de Uyuni, paramos em Colchani, um povoado às margens do deserto, para visitar as feirinhas de artesanto que atraem turistas do mundo todo.

De Colchani pegamos a primeira estrada asfaltada após centenas de km rodados para Uyuni. Paramos para visitar o Cemitério de Trens, uma espécie de museu a céu aberto com vários vagões abandonados em meio ao deserto (esse de areia) que criam uma atmosfera interessante em um cenário esquecido pela história.

Seguimos para Uyuni. Chegando lá, uma surpresa: alguns galões de água que levamos no bagageiro do carro tinham estourado e todas as mochilas estavam completamente molhadas e congeladas por causa da baixa temperatura do deserto!

Nossa terceira e última noite seria em Villa Mar e, segundo relatos, é o refúgio mais simples e sem infraestrutura do passeio. Pensando nisso e no nosso bem estar, foi decidido que ficaríamos em Uyuni e acordaríamos um pouco mais cedo para seguirmos de volta até San Pedro.

Ficamos aliviados com a situação. O tour praticamente termina em Uyuni e a metade do terceiro e o começo do quarto dia são apenas necessários para realizarmos o trajeto de volta de Uyuni para San Pedro.

Aproveitamos o resto do dia no simpático centro de Uyuni, conhecemos a praça com o relógio público, caminhamos por algumas feiras ao ar livre e fomos descansar cedo pois o último dia começaria de madrugada!

O povoado de Colchani

Cemitério de trens

Artesanato de Colchani

Cemitério de trens

DIA 4

 

O último dia é praticamente uma viagem de volta até San Pedro, passando por algumas das lagoas que visitamos no primeiro dia, mas sem parada. Apenas seguimos até a fronteira.

Mas atenção: o ticket comprado no primeiro dia (aquele de 150 bolivianos) precisa ser apresentado para entrar novamente na Reserva Nacional (caminho obrigatório para chegar até a fronteira Bolívia/Chile). Portanto, GUARDE-O BEM!

Na fronteira tomamos nosso café da manhã, e nos preparamos para sair da Bolívia oficialmente. Na saída fomos cobrados uma singela taxa de 15 bolivianos (aproximadamente 8 reais) por pessoa para “manutenção da precária fronteira”. Deixando de lado a ética dos nossos queridos vizinhos e afim de não arrumar problemas pagamos a taxa e formalizamos a saída do país.

Trocamos o 4x4 pela van da agência, pegamos nossas mochilas (ainda molhadas) e seguimos. Deixamos para trás as espetaculares paisagens do altiplano boliviano, a peculiar fauna e flora da região e os quase 5.000 metros de altitude para voltarmos a nossa querida San Pedro.

Nós e o frio do altiplano boliviano

A paisagem montanhosa no caminho de volta

CONSIDERAÇÕES FINAIS E DICAS

 

  • Salar de Uyuni é uma daquelas paisagens que não encontramos em abundância pelos 4 cantos do nosso maravilhoso planeta. Muito pelo contrário. É um local especial, único, que chega a emocionar quando se está nele. É um lugar diferente de tudo que você vai viver em toda sua vida – e isso não é exagero. Estar ali é ter a certeza de que está em um dos lugares mais impressionantes que a natureza poderia criar.
  • No início estávamos um pouco preocupados com 2 fatores: o frio e a alimentação (eu sou vegetariano). No final, concluímos que exageramos um pouco na preocupação.
  • Quanto ao frio, é frio MESMO. Leve suas melhores roupas, luvas, gorros, segunda pele, meias grossas, botas confortáveis de trekking, casacos corta vento, casacos do tipo polar e saco de dormir! Apesar dos refúgios terem de 3 a 4 camadas de cobertores nas camas, o frio castiga BASTANTE. Nós usamos nosso saco de dormir mesmo com todas as camadas de cobertores e todas as roupas possíveis. Caso você não tenha um saco de dormir, não tem problema, é só avisar a agência com antecedência que eles te emprestam!
  • Quanto à alimentação, ficamos surpreendidos. Imaginávamos que seriam comidas bem simples. porém o cardápio variou bastante e a comida era muito gostosa! Avisei antecipadamente da minha alimentação vegetariana e sempre preparavam algo especial para mim 😛 De um modo geral, comemos de tudo um pouco. Teve salada, arroz, purê de batata, ovos, atum, frango assado, batata frita, macarronada, sobremesa e até vinho! Uma coisa que não passamos foi fome!
  • Leve água, muita água. Compre aqueles galões de 6 litros se possível. Ele vai no bagageiro (só feche bem para ele não vazar igual os nossos :P), então leve uma garrafa de 1,5~2 litros com você dentro do carro e vá abastecendo a cada dia.
  • As mochilas grandes vão no bagageiro também. E o guia só desce as malas uma vez ao dia, quando chegamos ao refúgio. Portanto, leve uma mochila menor com você dentro do carro com alguns itens essenciais como filtro solar, protetor labial, alguma blusa mais pesada, luvas, gorros, e comidinhas para as horas vagas!

 

NÓS NÃO PODEMOS DEIXAR DE RECOMENDAR A AGÊNCIA DENOMADES

 

Desde o começo eles sabiam que faríamos um relato completamente sincero sobre tudo que passamos nesses 4 dias em terras bolivianas. Nós jamais apoiaríamos algo que não gostássemos. Destacamos aqui a simpatia do guia Nelson, a excelência nos serviços prestados pela agência mesmo quando tivemos o incidente com as mochilas congeladas, tudo foi sempre muito bem comunicado, decidido entre o grupo. Não é a toa que a DeNomades realizar tours não só em Uyuni, mas no Chile todo, Bolívia, Peru e Argentina!

A comunicação com a DeNomades sempre é feita de uma forma muito clara, inclusive conversamos diretamente com um dos cofundadores da agência, o simpático José Puentes.

Caso você tenha se interessado por esse tour (como não se interessar depois desse relato, né? :P) sugerimos que você entre em contato AGORA com a DeNomades e mencione que ficou morrendo de vontade de fazer o tour que o Memórias de Mochila fez! Eles vão ficar felizes em saber disso!

MAIS ALGUMAS FOTOS

Nayara observa a Laguna Blanca

Reflexos na Laguna Colorada

Trilhos do Cemitério de trens

Um pouco da cidade de Uyuni

Ricardo observa o nascer do sol no salar

Mais da Isla Incahuasi

Detalhes do Museu de Sal

Animal silvestre na fronteira Bolívia/Chile

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Ricardo Breda

Com 28 anos, Ricardo já visitou 40 países e não está nem um pouco satisfeito; seu objetivo é conhecer todos os países do mundo e o Memórias de Mochila dará uma boa ajuda pra isso! Graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelo Mackenzie, deixa para trás uma carreira no mercado financeiro para satisfazer sua inquietude e curiosidade com relação a novas culturas.

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