A cidade de Huaraz é o ponto base para exploração do Parque Nacional Huascarán, a mais bela e interessante reserva natural peruana. Conheça mais!
Localizada a 400 km a Norte de Lima e a 1500 km de Cusco, Huaraz tem altitude elevada, são 3100 metros acima do nível do mar.
O município é capital da região de Ancash e foi fundado por espanhóis em 1574, mas foi quase completamente destruído por um terremoto em 1970. Há apenas uma rua onde as construções coloniais foram preservadas, a Jose Ollaya.
Nós sinceramente não achamos a cidade em si uma atração, como aconteceu em outros lugares como Cusco por exemplo. A pobreza da população de 120.000 habitantes está presente nas ruas sujas e empoeiradas e nas construções por elas espalhadas.
Apesar de não ter o charme e a beleza característico de antigos municípios peruanos, Huaraz atende bem o visitante devido a sua infraestrutura turística, que conta com uma ampla gama de hotéis, restaurantes, casas de câmbio e agências de turismo, as quais estão concentradas na principal avenida local, a Luzuriaga, ou em seus arredores.
O PARQUE NACIONAL HUASCARÁN
O Parque Nacional Huascarán é conhecido por estar localizado (assim como Huaraz) no chamado Callejón de Huaylas, “callejón” significa corredor e se refere a um fértil vale que fica entre montanhas. De um lado dele está a famosa Cordilheira Branca (coberta de neve) e de outro a Cordilheira Negra (de picos amarronzados).
A quantidade de montanhas impressiona. Só na Cordilhera Branca há 755 delas! A cordilheira é considerada um dos mais bonitos seguimentos dos Andes e confere à região o título de “Suíça Peruana”.
Por lá há uma diversidade de belezas naturais, como glaciares, lagos de cores turquesa e esverdeada, com água proveniente do derretimento de glaciares, além de pequenas cachoeiras, vegetação característica, uma fonte de água com gás natural e fauna andina preservada.
As paisagens cênicas formadas por todos esses fatores atraem aventureiros do mundo inteiro. Eles vêm até Huaraz para praticar atividades como: escalada, trekking, snowboarding, escalada em bicicleta, acampamento em meio a natureza ou mesmo para tirar fotografias.
A entrada para o Parque Nacional Huascarán custa 10 soles por 24 horas ou 65 soles por uma estadia de até 21 dias, a qual pode ser feita em pequenos refúgios e campings espalhados por sua área.
*Ps. Na época da nossa visita (Outubro de 2017), a cotação de soles para reais era de 1 para 1.
Puya Raimondi, planta que só nasce no parque
O QUE FAZER POR LÁ
No Parque Nacional Huascarán há aproximadamente 300 lagoas glaciares. Assim, há muitas possibilidades de passeios!
Nesta sessão daremos detalhes sobre os que são realizados com mais frequência, os mais famosos.
Existem ainda pacotes turísticos que incluem acampamento em meio à natureza, escaladas e montanhismo como: o circuito Santa Cruz (o mais famoso deles, realizado em 4 dias), a escalada para o monte Alpamayo (6 dias), a escalada para o Huascarán (7 dias), a escalada para o monte Pisco (4 dias), entre outros.
Para informações mais específicas a respeito dos circuitos visite o escritório oficial de informações turísticas que fica na Pasaje Atusparia, próximo a Plaza de Armas.
LAGUNA PARON
A lagoa Paron é um dos lugares mais bonitos do Peru. Com água de cor turquesa intensa e a grandiosa montanha Artesonraju ao fundo, a paisagem da lagoa cativa quem quer que seja. Alguns dizem que ela é a inspiração para o logo da Paramount, não sabemos se a informação é verdadeira, mas observá-la é mesmo inspirador!
Lá há um mirante de onde é possível vê-la de cima. A caminhada até ele é em terreno íngreme, porém dura apenas 30 minutos. Ou você pode simplesmente descer da van e caminhar até a margem da lagoa, a poucos metros.
Para chegar até Paron é possível contratar um tour que sai cedo de Huraz e percorre 3 horas de estrada, passando por trechos de asfalto e por outros em terra com pedras (“trocha” como é conhecido no Peru). O caminho tem muitas curvas, porém leva o viajante até bem perto da lagoa, fato que é raridade no Parque Nacional Huascarán, onde a maioria delas tem acesso via trekking ou escalada.
Para entrar no parque é necessário pagar uma taxa de 10 soles por pessoa, que normalmente não está incluída no preço oferecido pela agência. Vale a pena perguntar a respeito.
Outra pergunta a ser feita às agências se refere a refeições. Alguns tours oferecem um almoço simples servido na lagoa, outras requerem que os passageiros levem sua própria comida. Como a volta a Huaraz se dá a partir das 5 da tarde e não há restaurantes na lagoa, se preocupar com o que vai comer é um detalhe importante.
*Custo do tour: aproximadamente 50 soles.
LAGUNA 69
A Laguna 69 é o ponto mais conhecido do Parque Nacional Huascarán. O azul intenso de suas águas atrai a curiosidade de uma grande quantidade de turistas.
O tour para conhecê-la começa cedo, com uma viagem por rodovia asfaltada de 1 hora e meia desde Huaraz até o povoado de Yungay, incluindo uma parada no meio do caminho para café da manhã.
Em Yuangay toma-se o acesso a uma estrada de terra bastante íngreme e cheia de curvas por 25 km até as famosas lagoas Llanganuco (leia sobre elas no tópico mais abaixo), quando há uma parada para fotos. Então, é a hora de seguir por mais alguns minutos até o povoado de Cebollapampa, ponto de partida do trekking.
A caminhada tem aproximadamente 3 horas e é considerada de nível médio/difícil. Ela é tida como complicada devido à altitude do lugar (a da lagoa é de aproximadamente 4.500 m), que leva muitos a sentirem dificuldades para respirar e cansaço excessivo. Esses sintomas são recompensados pela estonteante beleza da lagoa que tem atrás de si o nevado Chacraju, uma enorme montanha de 6.112 m de altura.
Algumas agências oferecem um picnic lá em cima, onde se permanece por aproximadamente 1 hora. O retorno é mais rápido, leva mais ou menos 2 horas e termina em Cebollapampa, onde os transportes estão a postos para realizar o trajeto de volta a Huaraz. Um detalhe: o acesso à lagoa requer o pagamento da entrada do parque, de 10 soles. Informe-se com relação a esse valor estar ou não incluso no pagamento do seu tour à agência.
*Custo do tour: aproximadamente 60 soles.

Fonte: Google
GLACIAR PASTORURI
Antes um pico com neve abundante desde sua base, o glaciar Pastoruri está regredindo a cada ano devido ao aquecimento global. A imponente montanha de gelo tem 5.240 m de altitude e, apesar de estar sumindo, ainda impressiona por sua singularidade.
Os tours para conhecer o glaciar Pastoruri partem de Huaraz pela manhã (o nosso saiu às 9) e duram o dia inteiro. Fomos com a empresa Lucho Tours ao glaciar e pagamos 35 soles por pessoa.
Os ônibus fazem uma parada para banheiro e comida pouco antes da entrada do parque e depois mais duas: uma para conhecer um pequeno lago de onde sai água com gás de forma natural e outra para ver as enormes Puya Raimondi, plantas que nascem unicamente naquela região.
Depois disso chega-se até a base do glaciar, a 4000 m de altitude. Lá começa o trekking até o topo, em um caminho sinalizado de 3 km. O percurso, apesar de curto, é dificultado pelo frio intenso e pela altitude elevada.
Para aqueles que tem dificuldades há cavalos (assim como na Rainbow Mountain) que podem ser alugados para uma carona até o glaciar. Embora os cavalos não levem o turistas até o final do trekking, eles ajudam e custam apenas 8 soles aproximadamente.
Alguns tours incluem alimentação e a entrada no parque. Os mais baratos não o fazem, porém os ônibus mesmo assim estacionam em um restaurante e dão tempo para que os visitantes possam fazer seu almoço. Um detalhe é que essa parada é feita somente na volta do passeio, as 16:00. Portanto, leve algo para enganar o estômago até lá.
A chegada em Huaraz se dá a partir das 18:00.
*Custo do tour: aproximadamente 50 soles (pagamos 35 ao negociar!)
LAGUNAS LLANGANUCO
As lagoas Llanganuco são formadas pelo derretimento de glaciares e têm cores azul-esverdeadas intensas. Elas estão entre as montanhas Huascarán e Huandoy e se chamam Chinancocha e Orconcoha, ambas têm beleza impressionante.
É possível visitá-las ao fazer o passeio para a Laguna 69, já que está no caminho desta ou contratar um tour independente até lá.
O tour somente para lá normalmente tem duração de dia inteiro e inclui visitas a povoados como Carhuaz onde há uma bonita Plaza de Armas e sorvetes artesanais, Yungay que tem ruínas de um povoado destruído pelo terremoto de 1970 (Campo Santo) e Caraz, onde há vendas de doces artesanais preparados por moradores.
O trajeto passa por estrada asfaltada e de terra e chega a uma altitude de até 3.800 m.
Trata-se de um tour bastante tranquilo e que vale a pena. Pode ser realizado nos primeiros dias de visita em Huaraz a fim de ajudar na aclimatação.
*Custo do tour: aproximadamente 50 soles.
PERGUNTAS FREQUENTES
QUANDO IR
Julho é o mês mais movimentado por lá, já que é considerado o ápice do verão andino, que vai de Abril a Setembro. Porém, segundo os próprios moradores, nessa época tudo é mais caro. Conversamos com um guia que opera a tours há mais de 30 anos e, segundo ele, alguns valores chegam até a triplicar.
Por esse motivo, para evitar preços abusivos, aconselhamos que apenas evite a época de chuvas, que vai de Outubro a Março.
COMO CHEGAR
O jeito mais fácil de chegar a Huaraz é a partir de Lima, de onde pode-se pegar um ônibus por 70 a 80 soles o trecho (dependendo do tipo de ônibus), em uma viagem que dura de 6 a 9 horas ou um vôo por aproximadamente 100 dolares o trecho (trajeto de 50 min).
COMO É O CLIMA
Devido à elevada altitude, as temperaturas costumam ser amenas. Leve roupas de frio que possam ser tiradas caso o sol esquente muito em certas partes do dia. Opte por roupas leves caso vá fazer esportes e não se esqueça de sapatos confortáveis.
DICAS
– Cuidado com o que for comer. Os peruanos muitas vezes não tem os mesmos hábitos de higiene dos brasileiros, fato que também se aplica à preparação de alimentos. Os preços dos chamados “menus do dia” podem ser bastante atrativos, mas cuidado, desarranjos intestinais são frequentes em turistas por lá. Um lugar onde gostamos bastante de comer é a pizzaria Manka, um ambiente intimista onde pizzas e massas artesanais são preparadas na frente do cliente, com ingredientes frescos e muito capricho.
– Prepare-se para enfrentar a altitude. O “soroche” ou mal de altitude pode ser responsável por sintomas como naúseas, dor de cabeça e cansaço excessivo ao realizar atividades físicas. Por isso, é recomendável que o visitante guarde os primeiros dias da viagem a Huaraz para relaxar e se aclimatar e que deixe para depois os passeios que exigem mais fôlego. Outras recomendações são a compra de folhas de coca e remédios específicos para soroche, disponíveis na maioria das farmácias por lá.
– Informe-se sobre agências adequadas e que estejam de acordo com as regulamentações de proteção ao turista e garanta um tour seguro.
– Negocie tudo o que for comprar. Esta é uma prática comum no Peru e que na maioria das vezes, resulta em menores preços para o comprador.
COMO FOI A NOSSA EXPERIÊNCIA NA REGIÃO DE HUARAZ
Visitar Huaraz e o parque pra nós não foi uma tarefa fácil por alguns motivos.
O primeiro deles é que, apesar de estarmos no Peru há mais de 2 meses, não estamos acostumados a altitudes elevadas, de modo que sofremos com soroche nos 2 primeiros dias.
No terceiro dia resolvemos ir ao Glaciar Pastoururi, mas o soroche novamente dificultou a nossa vida, mas especificamente a minha (Nayara), pois sofri muito com faltas de ar ai realizar a caminhada.
Depois dirigimos até um dos campings mais agradáveis onde já estivemos, na pequena cidade de Caraz, de onde partiríamos para explorar a lagoa Parón.
A cidade de Caraz é muito tranquila e tipicamente peruana, é um daqueles lugares onde a vida parece ser mais devagar, com pessoas matando tempo na praça e crianças correndo pelas ruas.
Lá pudemos fazer compras em mercados populares repletos de frutas, verduras e legumes vendidos por pequenos produtores, além de provar sorvetes de pura fruta e comer pizzas exóticas. Além disso, a natureza era abundante, o horizonte permeado por montanhas e o clima bastante agradável. Se estiver em busca de uma experiência de turismo autêntica, inclua Caraz no seu roteiro.
Nayara Freitas
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Adoro o site de vocês! Pretendo fazer um mochilão de 30 dias pela América do Sul e estou recebendo a maior ajuda desse site haha 🙂
Vocês indicam alguma agência turística específica em Huaraz? Estava pesquisando uma e o preço dos passeios estavam muito acima desse indicado por vocês, então, se for possível, gostaria de saber qual vocês escolheram!
Abraços e parabéns pelo projeto!!
Oi Mariana!
Muito obrigado pelo elogio, espero que possamos ajudar em seu planejamento! 🙂
Nós fizemos o tour do Pastoruri com a Lucho Tours. Nós conseguimos esse preço pois negociamos bastante. Além disso, os preços de passeios a venda pela internet são sempre mais caros! De uma maneira geral, procure comprar os tours diretamente na agência da cidade, você com certeza conseguirá um melhor preço!
Qualquer dúvida, pergunta pra gente! Boa viagem pra vc!
Ricardo e Nayara
Olá! Tudo bem? Estou adorando o site de vocês! Há dicas incríveis! Uma dúvida que tenho é se compensa levar dólares ou comprar antecipadamente Novo Sol (em sites como “Melhor Cambio onde é possível fazer lances)…Como o Novo Sol está muito valorizado em relação ao real, estou bastante na dúvida. Geralmente como avaliam a questão do câmbio de moedas nos países que visitam? Encontraram alguma forma de economizar nestas transações? Agradeço-lhes de antemão pelo auxílio e atenção. Grande e forte abraço, Lívia.
Olá Lívia! Obrigada pelo feedback, ficamos felizes que goste das nossas dicas 🙂
Nós não conseguimos te responder com propriedade essa pergunta porque para nós a variação cambial de cada país acaba sendo relativizada. É que nós temos uma conta em dolares e conseguimos sacar dinheiro na moeda local do país em que estamos. A variação cambial que nos afeta é apenas de real para dolares, quando os transferimos pra nossa conta e fazemos isso aos poucos, justamente para pegar diferentes cotações. Temos um post específico aqui no site, se tiver interesse é só buscar pelo título Dinheiro na Estrada.
Abraços e boa viagem!
Oi, amei o post, me ajudou bastante!
Qual foi a agência que você pagou nessa viagem para o Parque Huáscaran?
Beijos
Oi, Letícia!
Ficamos felizes que o post tenha te ajudado 🙂
Nós estamos viajando de carro desde o Brasil e fomos ao Parque Huáscaran com ele mesmo, exceto no dia em que fomos ao Glaciar Pastoruri, quando contratamos o transporte da empresa Lucho Tours. Pagamos 35 soles por pessoa na época.
Beijos
Olá Ricardo e Nayara
Estou programando para fevereiro uma viagem de MH pelas Américas e o Parque Huascarán sem dúvida está na lista, principalmente após esse relato maravilhoso que vcs fizeram. É tranquilo ficar no parque com o MH? Para contratar tours vcs tiveram que ir para alguma cidade próxima? Acredito que não dê o ir em alguns passeios com o MH devido as estradas certo? Um grande abraço.
Olá, Katia. Obrigado pela sua mensagem.
Faz bem em incluir Huascarán em seu roteiro. O parque é lindo. É tranquilo dormir dentro do parque, sim. Há muitos pontos no aplicativo iOverlander que você pode checar para passar a noite. Muitos viajantes ficam nas Lagunas Llanganuco, acordam cedinho e fazem o trekking da Laguna 69.
A situação das estradas varia bastante. A estrada até o Glaciar Pastoruri é boa. As estradas que levam para a Laguna Parón e para as Lagunas Llanganuco/Laguna 69 são meio ruins, com muitos buracos, pedras, trepidação. Se o seu carro for muito baixo, talvez você sofra um pouco. Nós viajamos com um Defender, que é um pouco alto, então não tivemos problemas.
A maior cidade da região é Huaraz. Caso você vá contratar algum tour, sugiro contratar lá.
Em Caraz há um camping bem famoso, muitos viajantes ficam por lá. É uma delícia ficar um tempo ali para explorar a região.
Qualquer dúvida, nos envie uma mensagem! Desculpe a demora para responder
Abraços e boa viagem
Ricardo e Nayara