Planejar uma viagem é uma tarefa muito prazerosa, mas nem sempre fácil. É preciso pensar em muita coisa em um espaço curto de tempo. Casar as datas disponíveis de hospedagem e os vôos mais baratos, planejar quanto tempo é necessário ficar em tal cidade para conhecer o que gostaria, pensar em quais roupas levar, o que colocar na mala, como ir da cidade A para cidade B sem perder muito tempo… Agora imagina se planejar para uma viagem de mais de um ano dentro de um carro?

Quando começamos a desenhar nossa viagem, não tínhamos em mente que teríamos que pensar em TANTA coisa ao mesmo tempo. E isso não é uma reclamação, óbvio. É um fato. Viver na estrada por um certo período é infinitamente diferente do que tirar férias de 2 a 3 semanas na Europa com amigos ou familiares. Há muito, muito o que se pensar, estudar planejar… e nem sempre acertamos em tudo, né?

Estamos na estrada há 4 meses e resolvemos fazer uma reflexão de algumas coisas que faríamos diferente caso nossa viagem começasse hoje.

1) DATA DE PARTIDA

 

Originalmente, nossa viagem teria nício em Fevereiro/2017. Planejávamos ficar uns 6 meses na América do Sul, 1 mês na América Central e chegar no Alasca em meados de Setembro, ainda com os parques nacionais abertos e um clima “no limite do bom”.

Atrasamos, como todos os viajantes atrasam. Mas não tinha volta, já estávamos sem nossos empregos, com quase tudo pronto, não poderíamos adiantar a viagem para o final de 2017, por exemplo, seria muito tempo parado.

Saímos do Brasil em Abril, nos primeiros dias. Isso significa que passamos pela região da Patagônia (Ushuaia, Torres del Paine, Carretera Austral…) em meados de Maio/Junho. Pegamos muita chuva, tempo nublado, cinza… Não nos arrependemos de maneira alguma, mas que seria muito mais bonito e agradável visitar essas locais com um clima mais ameno, isso seria!

Quem sabe um dia não voltamos para lá!

Despedida para a viagem

Nossa despedida, que aconteceu com alguns meses de atraso! 😛

2) QUANTA ROUPA!

 

Quando estávamos fazendo nossas “malas” nos empolgamos com o espaço para roupas em nosso carro (que ficou realmente bem grande) e acabamos exagerando um pouco na quantidade. Ainda estávamos com aquela mentalidade “vai que eu preciso disso?”.

Com o tempo, ficou claro que não “precisamos” de muita coisa. Com o frio da patagônia, quase não é necessário trocar de roupa, já que se veste umas 3 a 4 camadas. A gente aprende que não precisa colocar para lavar uma peça de roupa uma vez após usada. Isso era costume quando morávamos no Brasil, com nossas máquinas de lavar roupas sempre a disposição.

Após 4 meses de viagem, há muitas (mesmo!) roupas que ainda nem usamos! Estão guardadas lá no fundo do armário.

Sei que você leitor deve estar com uma cara de reprovação, pensando: “nossa, mas se eles não trocam de roupa, não devem tomar banho também!”. Somos limpinhos e tomamos banho todos os dias (exceto alguns dias de frio na Patagônia :P), mas apendemos a nos adaptar as limitações de viver dentro de um carro, sem poder lavar roupa todos os dias.

Aliás, caso você queira saber como fazemos para lavar nossas roupas na estrada, dá uma olhada nesse post aqui.

Arrumando as malas para viagem

Até que não trouxemos muita coisa para a viagem, mas roupa tem de monte!

3) PRA QUÊ A PRESSA?

 

Saímos de Limeira-SP dia 3 de abril e 9 dias depois já estávamos cruzando a fronteira com o Uruguai. Uma semana mais e já estávamos cruzando para a Argentina.

O começo da nossa viagem foi muito corrido. Não sei se estávamos ansiosos para chegar logo em Ushuaia, não sei se estávamos tentando “tirar o atraso” da partida. Realmente não sei. O que sei é que hoje viajamos muito mais lentamente.

Viajar mais devagar nos faz gastar menos dinheiro, aproveitar muito mais o local em que estamos e conhecer nossas pessoas.

Mas faz parte. Conhecemos MUITOS overlanders que dizem o mesmo, é unânime. Uma vez conhecemos um casal da California que viajava pelas América há 2 anos. E faltava muito para terminar. Não tem porque correr.

Viagem Uruguai

Nossa passagem pelo Uruguai durou apenas 1 semana. Hoje nos arrependemos e queremos voltar para lá.

4) MODELO DA BARRACA DE TETO

 

Nosso quarto é realmente muito confortável. Não imaginávamos que uma barraca no teto de um carro poderia trazer conforto, mas nos surpreendemos (ainda bem! 🙂 ).

O que acontece é que nós optamos pelo modelo mais completo (e mais caro também, consequentemente) e talvez nos preciptamos um pouco.

Esse modelo possui diversos “anexos” que podem transformar a barraca em ambientes fechados para cozinhar, tomar banho, se trocar, ou apenas relaxar. Esses partes adicionais são realmente geniais, dá pra fazer bastante coisa diferente com eles, mas nós usamos raríssimas vezes.

Montar e desmontar tudo, todos os dias (ou nos dias que vamos usar o carro), acaba sendo um pouco cansativo e leva tempo, o que nos desanima para utilizar todas as versões da barraca. Então para nós não foi muito vantajoso. Preferimos utilizar a versão “básica” e, por muitas vezes, acabamos ficando dentro do carro mesmo.

Mas é claro que isso depende da rotina e hábitos de cada viajante. Afinal, o trajeto pode até ser parecido, mas uma viagem nunca é igual a outra.

Carro preparado para viagem

Barraca montada com todos os anexos. Utilizamos essa versão pouquíssimas vezes.

É praticamente impossível acertar em tudo. E essa é uma das belezas de viajar. Faz parte aprender com os erros, se orgulhar dos acertos, refletir o que pode melhorar, se adaptar… A viagem, no final das contas, serve parar isso mesmo. Viver um novo estilo de vida, diferente de tudo aquilo que a gente tinha no conforto de nossas casas no Brasil.

Aprendemos muito nesses 4 meses de viagem. E ainda temos muito o que aprender. Estamos ansiosos pelo que há por vir!

Rumo ao Alaska! 🙂

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Ricardo Breda

Com 27 anos, Ricardo já visitou 28 países e não está nem um pouco satisfeito; seu objetivo é conhecer todos os países do mundo e o Memórias de Mochila dará uma boa ajuda pra isso! Graduado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelo Mackenzie, deixa para trás uma carreira no mercado financeiro para satisfazer sua inquietude e curiosidade com relação a novas culturas.

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